sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Se fosse uma coisa, bateu-me com um pau e como me apeteceu bater-lhe de volta.

 
 
 
 
  



O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora?

Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finanças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro.


Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enriquecem e muitos empobrecem.

Não penso assim por despotismo.
Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor.
Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for.
Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom.


Por isso não consigo deixar de indagar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desproteção na saúde e na velhice?
Porque que pagam os homens e as mulheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfreado?
Porque malha o peso da quimera do lucro pelo lucro sobre a única procura que deveria nortear o Homem: a construção do Humano?
Porque permitimos nós, comunidades de Gente, que outros mais cegos ou febris pela abundância, nos enterrem e esmaguem pela sua ganância, obsessão e controlo?
E quem regula este capital que nos regula?

A quem pertence a responsabilidade de lutar, nas formas pacíficas que a responsabilidade também obriga, contra esta falta de empatia, piedade, racionalidade?

Quem tapa a boca a esta criatura voraz?

Hoje pinto para lhe tapar a boca.

Amanhã, quando tiver um negócio, serei íntegro, justo e regulado para lhe tapar a boca.



Amanhã, talvez lhe dê com um pau, bem me apetecia… só para que a sua goela míngue e o seu apetite se mitigue… sem que lhe não falte pão para a boca.



NQ
Para veres as novidades no meu portefólio visita:
https://www.behance.net/NunoQuaresma

https://www.behance.net/NunoQuaresma

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

OM - Prefácio




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu início distante…
Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, seguro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas.
No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta existe?)procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim.
Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte.
Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”.
É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar.
A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal.
É minha essa tarefa apenas porque a escolho.
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postulado.
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverência).
Por isso começo por desenhar e pintar.
Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora.
Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me distraí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e desmistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas.
Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei talvez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! 

Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailored, AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra.
 
 

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009




"Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada:
o ontem e o amanhã "

Mahatma Gandhi



113/115



Um lugar, um ponto de encontro, uma oportunidade.

A ideia surgiu sob o mote da Arte como espaço vivo e simbólico que é também um lugar para se viver, biologicamente claro está.

Sentíamos, alguns, a carência desta dimensão mais completa, desta pequena grande parte da nossa Humanidade, e o apelo pela qualidade da experiência artística per si e da sua vivência na pluralidade – o apelo pela dialética no discurso visual.

113/115 é o espaço em que, seminalmente, eu e Simão Carneiro, um dos Autores incluídos nesta iniciativa, estaremos a pintar, durante dois meses, pela mão, generosidade e disponibilidade de uma Mecenas das Artes (Obrigado Margarida J).

Durante este período, a pintar com a vontade e ânimo de quem procura, ao fim de um longo jejum, de pão para a boca, estaremos também a cuidar e a reabilitar o espaço para acolher a 1ª seleção expositiva de um conjunto alargado de Artistas.

O evento que cumulará este período de tempo é o “banquete”, e esta é uma crença que se funda na qualidade dos Autores convidados, em que daremos saciedade a quem está, também, assim faminto de emoção, sentimento, profundidade, densidade, dramatismo ou até mesmo comicidade, “non sense”, com toda a evocação poética possível, por contraste com a realidade dura e crua do momento que atravessamos.

CRISE

Um Mundo em crise. Em fim dela… no seu início…

Na verdade e em síntese, o mote é este binómio Arte
Ser Humano enquanto criador versus Mundo em devir
Sentimento de impotência em relação a esta mudança avassaladora.

É uma tarefa difícil?

Ou será antes, e ainda no registo da saciedade, “o pão nosso de cada dia”, que não custa nem envergonha mostrar?

Em vez de uma resposta linear, descobrimos antes outro processo criativo.

Associámos livremente tudo o que nos veio à ideia e colocámo-lo em papel.

O que a seguir se tenta fazer é cumprir o passo seguinte:

Escolher o Título, fixar o Calendário e sustentar uma Itinerância possível no Parque da Nações em Lisboa e num 2º espaço ainda em angariação, no Município de Cascais.



''UBUNTU, how can one of us be happy if all the other ones are sad?''

Retirado de um diálogo entre membros de uma Tribo no Malawi, com evocação da cultura Xhosa.

'UBUNTU' significa: "Eu sou porque nós somos"


Para saberes mais visita:

http://akaarte.wix.com/online#


Catálogo:







Aka Arts & Crafts
Brevemente:




“El diamante de una estrella
Ha rayado el hondo cielo,
Pájaro de luz que quiere
Escapar del universo
Y huye del enorme nido
Donde estaba prisionero
Sin saber que lleva atada
Una cadena en el cuello.”


“O diamante de uma estrela
Rasgou o céu profundo
Ave de luz que quer
Escapar do universo
E é executado fora do ninho enorme
Onde foi preso um
Sem saber que ele é amarrado
Uma cadeia de caracteres no pescoço”



1ª Estrofe de “El diamante” de Federico García Lorca




Nesta dissertação devo ter atravessado, ter sido colhido na corrente, mergulhado e nadado, no mais ancestral chauvinismo que ainda conservo da herança evolucionária dos meus mais ancestrais parentes australopitecos! Mas confesso que foi um trabalho onde sinto ter aprendido bastante. Não subscrevo todos os resultados, assumo contudo a qualidade e interesse do processo... adiante... sem mais demoras... Como vender Diamantes :)







Porque o Amor é Eterno…



Tecnologias de Representação Gráfica



~ Memória Descritiva ~



CAMPANHA VENDA DE DIAMANTES





O briefing/proposta inicial lançada nesta disciplina foi a de simular uma campanha criativa com recurso à construção de um conceito artístico, gráfico e ilustrativo consentâneo com o objetivo prático de aumentar as vendas de um produto, numa simulação à ligação do criativo com a realidade crua dos mercados e das suas práticas.


Em síntese, o desafio proposto foi o de responder criativamente à questão: como vender rapidamente, de forma sustentada e a um segmento mais alargado da população, um stock de 3 milhões de diamantes, número imaginário mas simbólico e significante em relação à pressão para os vender rapidamente, de forma inovadora e num paradigma de sustentabilidade.


Começámos, em turma, por abordar o tema numa lógica de experiência, senso comum e pré-conceito, de onde fomos derivando, aos poucos, para uma conceção mais estruturada sobre as emoções, construção semântica e simbólica assim como a história das imagens tradicionalmente associadas a este produto.


Foi desta forma, norteados por este processo, que chegámos, coletivamente, às seguintes conclusões:


O diamante vale pela sua raridade e pelo longo e extraordinário processo de onde resulta a sua constituição e prospeção.


Geralmente são adquiridos com a finalidade de passarem a constituir uma oferta, um presente, dirigidos quase impreterivelmente às mulheres (“Diamonds are a girls best friend…”)


Na generalidade são os homens que fazem esta aquisição e, apesar de não possuirmos dados estatísticos que o possam comprovar, consensualmente chegámos à conclusão que são quase apenas os homens os compradores, que o fazem segundo o processo descrito no ponto 2 e fundados nas qualidades distintivas e únicas mencionadas no ponto 1, que somados ao elevado preço deste produto, criam um contexto económico, social e humano muito específicos que merecem uma análise ponderada antes de qualquer intervenção criativa na sua apresentação.






Nesta linha, e depois de densamente exploradas as ordens de razões que levam um homem a comprar um produto com este valor para o oferecer a uma mulher, sobretudo em mais do que uma ocasião (como sugere o briefing inicial e sem esquecer o célebre slogan “Diamonds are forever…”, abraçámos enfim a hipótese (fundamentada mas ainda e porém uma hipótese), que as emoções a despertar para conseguir influenciar forte e positivamente o volume de vendas deste produto, seriam o Medo (da perda da pessoa amada ou da pessoa desejada) do Amor (pelo menos na sua vertente de cuidado pelo outro com fortes sinais de compromisso e de segurança) misturados com o ingrediente Culpa.


E qual o poderoso lugar do sentimento de Culpa nesta fórmula?


Convocar repetidamente o desejo pelo Amor Proibido é condição para a repetição da compra de um objeto que numa relação de legitimidade, entre pares, só se compra uma vez (um diamante = a um Amor). Esta é a constante…


Variáveis em que o resultado é sempre uma multiplicação na de compra de diamantes:


Na relação particular entre géneros - e vale a pena recordar que este trabalho se trata de um ensaio apenas hipotético construído de forma dialética e em grupo, sem preconceitos ou determinismos – a consumação do desejo é a fatal dentada na maçã que se paga em sentimento de Culpa.


Segundo esta teoria, quanto maior a desejabilidade da mulher, maior o risco de queda em desgraça (e em simultâneo, no doce pecado), e que quando esta condição se estabelece, o que se cristaliza é uma enorme ambivalência, capaz de transmutar um homem num comprador esporádico, mas regular na sua recursividade, de singulares diamantes.


Dito de outra forma, para segurar o Amor legítimo e a sua ancestralidade sentimental e segurança e em simultâneo poder disfrutar da liberdade, infinita nas suas possibilidades, de um Amor ilegítimo, este homem desmultiplicar-se-ia em aquisições de diamantes, cada vez mais caros e únicos, para manter o vínculo a ambos o Amores, selando cada novo envolvimento ou muda reconciliação com o valor mais alto da escala económico-romântica, o Quilate!






Esta foi enfim a fórmula paradigmática que estabeleceu o mote.


Tudo que a partir daqui se passou, curiosamente, falhou ostensivamente o alvo e no caso da minha proposta criativa em particular, foi parar a um lugar aparentemente próximo, mas muito aquém desta elegante luxúria e complexa elaboração.


É contudo a minha proposta mais sincera e mais conseguida dentro das experiências na procura do cumprimento deste briefing.






A opção para o Cartaz Final






Depois deste trabalho de reflexão reiterada em torno da hipótese que como turma postulámos, em relação aos “targets” da campanha, o que efetivamente se colou à minha memória sentida, a única a que realmente consegui aceder, pelo menos nas fases de esboço e artes finais, é o que passo a descrever.


Comecei por escolher as palavras-chave da comunicação que mais me sensibilizaram: sedução, liberdade, desejo (escolhi contudo o desprovido de culpa) e o compromisso.


Num processo que gradualmente deixou de ser guiado pelo racional, e passou a sujeitar-se à técnica escolhida – desenho com riscador segundo técnica de trama e aguada – fui vendo o conceito formalizar-se numa imagem de uma plasticidade puramente “gestaltiana” que no seu 1º estado resultou numa mulher, motard e independente, em frente à sua mota (com rodas vagamente evocativas da imagem de dois anéis) a observar atentamente um homem mais velho, ocupado numa escrita compenetrada entrecortada com a atenção a um telemóvel.


Depois de uma primeira apresentação em aula, em que percebi que a situação representada no desenho poderia funcionar mas com a ressalva das observações em relação à inadequação da idade da rapariga e ao mesmo tempo da pouca pertinência da presença de um elemento como o telemóvel, produzi então uma segunda proposta gráfica já com um conceito muito mais definido, com o slogan – “há coisas boas que duram para sempre…” - presença de logo marca (Papoul Diamond) e uma imagem de fundo com enfoque naquilo que me pareceu dar sinais de eficácia: a duplicidade da imagem da mota/ anéis e empatia e intemporalidade do que no desenho parecia ligar as duas personagens.


Neste formato sujeito à uma apresentação projetada e explicada diante da turma foi possível entender em diálogo com os presentes e em particular com o Professor, que o enfoque na duplicidade da imagem da mota era realmente um ponto positivo ao nível da eficácia, mas que a intemporalidade não estava bem consubstanciada, pelo que, juntado todo este retorno obtido nesta produtiva construção sistémica, que é o desenvolvimento conjunto com um grupo alargado, de um tema em particular, criei o formato final a apresentar.


O seu slogan e título passou a ser “Porque o Amor é Eterno…” e passou a enfatizar os seguintes elementos:


- O homem passou a ser tipificado com o perfil de um “George Clooney” num traje ambíguo, vagamente barroco, mas também moderno


- A mulher passou a ser tipificada segundo o perfil de uma “Gwyneth Paltrow” numa pose vagamente inspirada na musa típica Pré-Rafaelita, com uma aura do mesmo mistério e simbolismo


- A mota, de design facilmente volúvel em duas formas diferenciadas de alianças


- O Castelo como símbolo de intemporalidade, mas também de lugar/ abrigo seguro


- Dois cavalos a correr, lado a lado, a fazer lembrar ideias como a liberdade, sintonia, e cumplicidade (reforçada pela coreografia do galope)


- A presença, no canto inferior esquerdo, de um diamante com a forma de uma ponta em sílex, também conotada com a mestria no manuseio dos materiais, talento e engenho masculinos com competências adaptativas ancestralmente atraentes para uma mulher, com maior inclinação para a escolha de um companheiro com estas qualidades de protetor e progenitor


Deixei assim a minha escolha cimentar a sua força e eficácia em:


Na dita intemporalidade do Amor Romântico e no valor infinito (naturalmente cotado em diamantes de grande quilate) desta experiência de vinculação ao par


No conflito emocional comum a todos os Seres Humanos entre as necessidades de, por um lado, liberdade, e por outro, nos antípodas, de segurança


Na ideia de um alter-ego e de um alter lugar ambas mais excitantes, mas em simultâneo suficientemente seguras, ou seja, um cenário que se possa repetir diversas vezes, e em cada uma celebrada com a compra e oferta de um diamante


Por fim, todas as ambivalências relativamente perigosas, de equilíbrio frágil, seguramente amparadas na sublime complexidade, mas em simultâneo, também simplicidade, singularidade, resistência, ancestralidade e durabilidade de um diamante.










“El diamante de una estrella
Ha rayado el hondo cielo,
Pájaro de luz que quiere
Escapar del universo
Y huye del enorme nido
Donde estaba prisionero
Sin saber que lleva atada
Una cadena en el cuello.”






“O diamante de uma estrela
Rasgou o céu profundo
Ave de luz que quer
Escapar do universo
E é executado fora do ninho enorme
Onde foi preso um
Sem saber que ele é amarrado
Uma cadeia de caracteres no pescoço”






1ª Estrofe de “El diamante” de Federico García Lorca














Nuno Quaresma


Janeiro de 2012


(no contexto de um trabalho para a Disciplina de Tecnologias de Representação Gráfica, MDCV_ IADE_1º Semestre)